sábado, 23 de agosto de 2008

AEROPORTO - Vôo por instrumentos será suspenso em Ilhéus

Por: ANA CRISTINA OLIVEIRA - Sucursal de Itabuna-Bahia

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) anunciou, na última quarta-feira, que a partir do dia 2 de setembro serão suspensas as operações de vôos por instrumento no aeroporto de Ilhéus.
Ontem, lideranças políticas e empresariais do comércio, indústria e turismo do município iniciaram uma mobilização para evitar o fechamento do Aeroporto Jorge Amado, já que as duas companhias aéreas que operam lá teriam informado que o plano de segurança não lhes permite operar em condições visuais, já que a instabilidade climática, que reduz a visibilidade, é comum na região.
Segundo o empresário de turismo Alfredo Ladim, a TAM e a Gol já teriam se manifestado neste sentido. Durante coletiva, ontem, o prefeito Newton Lima afirmou que o aeroporto de Ilhéus está sofrendo uma perseguição e destacou que as medidas restritivas contra o terminal começaram logo após o acidente com o Airbus da TAM, em Congonhas, no ano passado.
Inicialmente, reduziram a pista 29 (leste), que provocou a queda de oito para cinco vôos diários no terminal, porque a TAM teve que substituir os aviões A-320 pelo A-319, menores e menos pesados, diminuindo 212 mil acentos no ano passado. No dia 30 de julho, o superintendente de InfraEstrutura da Anac, Alexandre Barros, esteve em Ilhéus e informou que o Cindacta detectou muitos obstáculos e disse que o terminal de Ilhéus iria ser rebaixado da categoria três para dois. “Nessa condição, nós só poderemos receber aeronaves Fokker 50 (Bandeirantes e Brasília), reduzindo drasticamente o movimento do terminal, que estimava movimentar no ano que vem 450 mil passageiros”, reclama Ladim.
Ele diz que a Anac não rebaixou o terminal, porque houve intermediação do governador Jaques Wagner, mas agora inventou essa nova medida, que será ainda pior. A TAM e a Gol deixarão o terminal, também porque os custos vão aumentar com hospedagem, deslocamentos e alimentação dos passageiros, sempre que um avião não encontrar teto em Ilhéus e retornar. Sem contar as ações judiciais de usuários reclamando ressarcimento de prejuízos.
Sem aeroporto, o sul da Bahia, que busca alternativas para vencer a crise do cacau, vai sofrer um esvaziamento ainda maior, destaca Ladim. O terminal, diz ele, serve a todo o sul e sudoeste da Bahia, movimentando por ano 350 mil passageiros, entre turistas, políticos, empresários, profissionais liberais, estudantes. As empresas dos pólos de informática e calçadista, que se expandem na região, irão embora. Só a Azaléia, instalada em Itapetinga, emprega 12 mil trabalhadores. As empresas de informática faturam R$ 2 bilhões e fabricam 25% dos computadores do País.
A medida da Anac também varreria centenas de empregos na cadeia turística, desde hotéis e pousadas a agências de viagem, comércio, restaurantes e taxistas, em Ilhéus, Itacaré, Canavieiras e outras cidades da Costa do Cacau. Ladim diz que 25% dos usuários de aeroporto são de Itabuna, forte pólo comercial e de serviços, que também seria prejudicado.
A menor oferta de vôos, segundo ele, já elevou o preço das passagens, e as viagens, antes rápidas, passaram a durar até cinco horas.
Para evitar o prejuízo, a comunidade regional quer que a decisão da Anac seja sustada e que haja um estudo aeronáutico com análise de riscos elaborado pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). O estudo tem que ser aprovado pela Anac e a Diretoria de Engenharia da Aeronáutica, para evitar informações contraditórias e apontar quais os obstáculos devem ser retirados e os que podem ficar.

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